Conjured significa “evocou” ou “imaginou”, muitas vezes com a ideia de criar algo na mente como se fosse por magia. Na música, “I've conjured up wonderful things” transmite a imagem de alguém que inventou ideias maravilhosas e grandiosas para uma apresentação, tornando a palavra poética e memorável.
Em “Big Ideas”, os Arctic Monkeys apresentam um narrador no meio de um espetáculo cada vez mais exagerado: palco iluminado, alguém sendo baixado para a cena, uma orquestra cercando a banda e até a ideia de adaptar o tema principal para bandolins. A graça está no contraste entre a grandiosidade do plano e a confusão de quem o inventou. Ele diz que teve “big ideas” [grandes ideias], ideias tão importantes que “you’d rather not share over the phone” [você preferiria não contar por telefone], mas, quando chega a hora de tocar, não consegue mais lembrar como elas eram. “The orchestra’s got us all surrounded” [a orquestra cercou todos nós] transforma o sucesso planejado em uma situação quase cômica, como se o arranjo tivesse crescido demais e tomado conta de tudo.
A letra também imagina uma estreia enorme: lançamento coordenado, festas pelo país e uma plateia “wavin’ their arms and stompin’ their feet” [balançando os braços e batendo os pés]. Só que, no centro dessa celebração, sobra a “ballad of what could’ve been” [balada do que poderia ter sido]. A expressão fala de uma possibilidade que não se realizou, enquanto “over and out” [câmbio, desligo] soa como uma despedida seca, quase de rádio. É uma música sobre ambição artística, planos grandiosos e o instante absurdo em que o criador olha para toda a produção e pensa: “I just can’t for the life of me remember how they go” [eu simplesmente não consigo, de jeito nenhum, lembrar como eles são].