Cicatrices significa “cicatrizes”, as marcas que ficam na pele depois de uma ferida. Na canção, porém, também tem um sentido metafórico: representa as experiências difíceis e as marcas emocionais que contam tudo o que a pessoa viveu no caminho.
Sabe aquele momento em que a vida parece sem rumo? O cantor espanhol Alvaro Soler fala exatamente disso neste pop animado, mas com uma reviravolta reconfortante. Em vez de lamentar os tropeços, ele transforma a própria estrada em um parceiro leal. Ele canta que "Siempre ha estado allí / El hermano del destino" ("Sempre esteve lá / O irmão do destino"), mostrando que até quando achava que tinha se perdido ("Yo pensé que me había perdido"), o caminho nunca o deixou sozinho. A imagem de "el bolsillo de polvo se llenó" ("o bolso se encheu de poeira") traz a sujeira boa de quem bateu perna e subiu ladeira atrás do horizonte.
Para quem estuda espanhol, a faixa é perfeita para pegar expressões comuns sobre perrengues e superação. Alvaro confessa sem rodeios que não entendia por que tinha que "pasarlo mal" ("passar por maus bocados"), uma frase coloquial muito usada no dia a dia para descrever sofrimento ou dificuldade. Mas ele logo se conforma: no final, "Cicatrices cuentan que pasó" ("Cicatrizes contam o que aconteceu"). Os tombos viram história e, no fim das contas, a rota vira um "viejo amigo" ("velho amigo"). Dá vontade de colocar a mochila nas costas e seguir em frente cantando.