Adivina significa 'adivinha' ou 'prevê'. É uma palavra interessante porque, embora seja comum no dia a dia, na letra da música ela ganha um tom mais profundo e existencial.
Na canção, Shakira canta: "Nadie adivina que depara el destino" (Ninguém adivinha o que o destino reserva). Ela usa essa palavra para expressar a incerteza da vida e a incapacidade humana de prever o futuro, especialmente em um momento de solidão e reflexão sobre um amor perdido.
Em "Nada", a colombiana Shakira deixa de lado qualquer glamour para falar sobre um vazio enorme que o sucesso não preenche. Logo no começo, ela cria um cenário bem melancólico ao caminhar por Berlim: "Vuelan los ángeles sobre Berlín" (Voam os anjos sobre Berlim) enquanto sente que "la lluvia cae dentro de mí" (a chuva cai dentro de mim). A mensagem central é direta e sem rodeios: "No sirve de nada llegar aún más lejos / Ni toda la fama, ni todo el dinero" (Não adianta nada ir ainda mais longe / Nem toda a fama, nem todo o dinheiro) se a pessoa amada não está por perto e a solidão machuca até os ossos.
A música traz momentos bem visuais e até curiosos, como quando ela canta "Tiro mi bolso Chanel del barrio chino / Al suelo mojado y me lanzo a correr" (Jogo minha bolsa Chanel falsificada no chão molhado e saio correndo). A expressão barrio chino (bairro chinês / Chinatown) deixa claro que a bolsa de grife é daquelas réplicas baratas compradas na rua, um detalhe bem cotidiano que ela simplesmente larga no chão em meio ao desespero da saudade. Estar "de espaldas al sol" (de costas para o sol) e sentir falta de sentidos básicos como tocar, cheirar e olhar mostra como o mundo perde a cor quando falta quem a gente ama.