Trece catorce é uma expressão coloquial espanhola que significa uma trapaça, um truque ou uma forma de enganar alguém. Na música, “el rey de la trece catorce” descreve ironicamente um homem especialista em manipulações e desculpas, tornando a expressão curiosa e memorável.
Em “La Perla”, ROSALÍA e Yahritza Y Su Esencia descrevem um homem que transforma qualquer relação em caos. A imagem inicial já é ótima: “Hola, ladrón de paz” [olá, ladrão de paz]. Ele é chamado de “campo de minas para mi sensibilidad” [campo minado para a minha sensibilidade], alguém impossível de abordar sem sair ferido. O retrato continua com um playboy que gasta até o dinheiro que não tem, vive no próprio mundo e acumula decepções: “la decepción local, rompecorazones nacional” [a decepção local, o destruidor de corações nacional]. O refrão chama esse sujeito de “una perla” [uma pérola], mas a ironia é enorme: ninguém confia nele, e é preciso ter muito cuidado.
A letra fica ainda mais divertida e venenosa quando lista os hábitos desse desastre ambulante. “El rey de la trece catorce” [o rei da trapaça, da mentira] apresenta alguém que não sabe o que é trabalhar ou contribuir, enquanto “red flag andante” [uma bandeira vermelha ambulante] resume todos os sinais de perigo. Ele pega coisas emprestadas e não devolve, desaparece quando alguém precisa de ajuda, se convida para a casa dos outros e culpa um “doppelgänger” [um sósia] quando faz algo errado. Até fazer terapia parece inútil, porque ele mente mais do que fala. No fim, “La lealtad y la fidelidad es un idioma que nunca entenderá” [lealdade e fidelidade são uma língua que ele nunca entenderá] deixa claro o diagnóstico da canção: charme, desculpas e pose não escondem um homem em quem ninguém pode confiar.