Kıyan vem do verbo kıymak, que significa 'tirar a vida', 'sacrificar' ou 'machucar gravemente'. É uma palavra forte e dramática que não se encontra em todas as músicas.
Nesta canção, o eu lírico expressa uma devoção tão profunda que, mesmo que a pessoa amada o machuque ou o destrua (Ölsem de kıyan senin elindir - 'Mesmo que eu morra, a mão que tira a vida é a sua'), ele aceita, mostrando a intensidade de seu amor e entrega.
Em “İstersen” (“Se você quiser”), Buray transforma o amor em entrega total, quase perigosa. O narrador diz que reencontrar sentimentos que havia perdido pode acontecer com um simples sorriso, mas também que amar é “Sana anlatılan her masala / Bile bile aldanmakmış aşk” [“Amor é acreditar de propósito em todo conto de fadas que contam para você”]. A imagem é bonita e um pouco irônica: ele sabe que pode estar se enganando, mas continua escolhendo acreditar. Quando a desesperança se afasta no horizonte e as folhas ficam amarelas no outono, o amor, para ele, volta a ficar verde, como algo que renasce justamente quando tudo parece estar mudando.
O refrão exagera de propósito: “İstersen yak, savur, dağıt, beni yarala” [“Se quiser, queime-me, espalhe-me, desfaça-me, machuque-me”]. Ele entrega tudo à pessoa amada e afirma que ela é sua “outra metade”. Até ser destruído pelas mãos dela parece aceitável, porque “Sen dokun ziyan olmaz bana” [“Se você tocar em mim, não haverá prejuízo”]. Depois, a saudade bate no coração como ondas, os cabelos se espalham como o vento e a pessoa ilumina a noite como a lua. No fim, a promessa fica ainda maior: se ela pedir, ele atravessa montanhas e estradas. É uma canção sobre devoção sem freio, com imagens de natureza e uma declaração bem direta: “escreva-me na sua outra metade”.