Kıyamam é uma expressão turca carinhosa que literalmente significa “não consigo fazer mal” ou “não tenho coragem de ferir”, mas também pode ser usada como “coitado(a)” ou “awn, que dó”. Na música, BLOK3 usa a palavra com ironia ao dizer “Kıyamam, yarışıyo' muyduk biz?” (“Awn, estávamos competindo?”), provocando alguém que tenta acompanhá-lo.
Em “BABA”, BLOK3 assume uma postura de superioridade quase provocadora. A faixa começa com “Mesleğin ne? / Babayım” [“Qual é a sua profissão? / Sou o chefe”]. Aqui, baba não significa apenas “pai”: na gíria, é alguém poderoso, respeitado, o cara que manda. Quando ele diz “Abilerin bana diyo' ‘Baba’” [“Os seus manos mais velhos me chamam de ‘chefe’”], a ideia é que até quem deveria estar à frente dele reconhece sua posição. O refrão insiste que “Sizin boşa bütün çaba” [“Todo o esforço de vocês é em vão”] e brinca com o ditado “Her gecenin sabahı var” [“Toda noite tem uma manhã”], virando-o numa provocação: para o rival, a noite nunca vai terminar em vitória.
A letra também mistura confiança exagerada, impaciência e ameaças ditas com ar de deboche. “Fark etmeden herkesi yenmişim” [“Eu venci todo mundo sem perceber”] é uma maneira engraçada e arrogante de dizer que ele se considera tão acima da disputa que nem precisou prestar atenção. Já “Kafam kırık” [“Minha cabeça é meio quebrada”] é gíria para estar meio maluco ou agir de forma descontrolada, não uma descrição literal. Quando alguém o acusa de ameaçar, ele responde: “Tehdit yok, haber veriyorum” [“Não é ameaça, estou avisando”]. O resultado é um personagem que fala como um chefe intocável, transforma qualquer corrida numa competição que só ele reconhece e trata os adversários como se já tivessem perdido.