Wilderness descreve uma área selvagem e intocada, longe da civilização. É uma palavra marcante porque também pode representar um estado emocional de estar perdido ou sozinho.
Na música, “walking through the wilderness” sugere que o cantor atravessa um período difícil e solitário após a perda de alguém, como se estivesse explorando uma paisagem desconhecida dentro de si mesmo.
Em “Wild Blue”, John Mayer transforma a separação em uma viagem por um espaço quase impossível: o narrador diz que nunca viu o sol, está deitado no fundo do oceano e atravessa uma região selvagem vivendo da solidão. O “azul selvagem” parece ser esse estado enorme e desconhecido depois que alguém vai embora. Em “Wild blue, deeper than I ever knew” [Azul selvagem, mais profundo do que eu jamais soube], wild blue não é uma expressão fixa com um único significado: aqui, é uma imagem para a imensidão da tristeza e da liberdade misturadas. Já “on a bed of grey” [sobre uma cama de cinza] coloca esse azul ao lado de uma cor apagada, como se a beleza ainda existisse, mas sob um céu sem brilho.
O mais interessante é que a perda não aparece apenas como dor. Em “I found myself when I lost you” [Eu me encontrei quando perdi você], o narrador percebe que o fim da relação o obrigou a descobrir quem é sozinho. As lágrimas, em vez de cair, “dance across the evenin’ sky” [dançam pelo céu do entardecer], uma imagem bem bonita para transformar o choro em algo visível e quase livre. E “missin’ you belongs to me” [sentir sua falta faz parte de mim] diz que a saudade agora é responsabilidade dele, algo que ele carrega. No fim, deixar a pessoa partir revela uma beleza improvável: “The unlikely beauty in letting you go” [a beleza improvável de deixar você ir].