Ensorcelle vem do verbo "ensorceler", que significa "encantar", "enfeitiçar" ou "cativar". É uma palavra com um toque mágico e poético, que você não encontra em todas as músicas.
Na canção, Vanessa Paradis usa "elle m'ensorcelle" para descrever como o rio Sena a encanta e a cativa com sua beleza, quase como se a enfeitiçasse. É uma forma linda de expressar uma atração irresistível e profunda.
Sabe aquela sensação de passear por uma cidade e sentir que ela tem vida própria? Em "La Seine", Vanessa Paradis e Matthieu Chédid transformam o famoso rio Sena em um personagem fascinante e meio mágico. Logo no começo, a letra brinca com a expressão "Elle sort de son lit" [Ela sai do seu leito/cama], que serve tanto para o rio transbordando quanto para alguém levantando com total confiança. O trocadilho mais genial da música acontece entre "La Seine" (o rio Sena) e "La scène" (o palco), misturando a água de Paris com o ambiente do show quando cantam "Extra Lucile quand tu es sur / La scène" [Extra Lucile quando você está no palco]. Lucile aqui é a personagem que canta, brilhando sob os holofotes enquanto Paris quase se afoga de amor.
E tem muita esperteza nas rimas: a música avisa que "Tu n'es pas saoul / Paris est sous / La Seine" [Você não está bêbado / Paris está sob / O Sena], fazendo um jogo sonoro delicioso com as palavras saoul (bêbado) e sous (sob/embaixo). No refrão, não tem explicação lógica para esse encanto todo; eles simplesmente admitem: "Je ne sais pas pourquoi / C'est comme ça, la Seine et moi" [Eu não sei o porquê / É assim, o Sena e eu]. A faixa ainda leva a gente direto para o famoso Pont des Arts [Ponte das Artes], onde o coração balança "Entre deux eaux" [Entre duas águas], uma expressão usada para descrever a dúvida ou a hesitação diante de uma vista tão bonita.