Zaunpfahl significa literalmente “poste de cerca”. Na expressão alemã „mit dem Zaunpfahl winken“, porém, significa dar uma indireta muito óbvia, quase impossível de ignorar.
Na música, os dois fingem não perceber os sinais de que não estão sozinhos. É uma palavra visual, curiosa e memorável, além de revelar um idiomatismo alemão muito interessante.
Em “Unter die Haut”, Tim Bendzko e Cassandra Steen cantam sobre a descoberta de que a solidão não precisa ser permanente. A frase-título, “Das geht mir unter die Haut” [isso mexe profundamente comigo], é uma expressão alemã: literalmente, algo “entra sob a pele”, mas aqui significa tocar a pessoa de um jeito muito intenso. O narrador primeiro não consegue acreditar que não está sozinho: “Ich habe es erst nicht geglaubt, dass ich hier nicht alleine bin” [a princípio, não acreditei que não estou sozinho aqui]. Depois, a música revela como essas pessoas se fecharam em si mesmas, cercadas por “leere Hüllen” [cascas vazias], que acabam bloqueando a visão da vida que um dia desejavam.
A aproximação acontece quase como um chamado para escapar desse isolamento. “Dass wir verbunden sind” [que estamos ligados] dá à canção seu centro: existe uma conexão que continua mesmo sem explicações, até nas palavras “du auch ohne Worte unsere Lieder singst” [você também canta nossas canções sem palavras]. Há uma expressão curiosa em “jeden Wink mit dem Zaunpfahl ignoriert” [ignoramos todas as dicas óbvias]: em alemão, uma “piscadela com um poste de cerca” é uma dica impossível de não perceber. No refrão, essa ligação puxa o narrador para a frente, “bis ich zu Hause bin” [até eu chegar em casa]. Aqui, “casa” aparece como um lugar de segurança e pertencimento, não necessariamente um endereço. É uma canção sobre parar de ignorar o outro, deixar tudo por um momento e ir embora juntos.