A palavra Cartagine refere-se à antiga cidade de Cartago, um império poderoso que foi completamente destruído pelos romanos.
Na música, Mahmood usa essa referência histórica para expressar a ideia de uma queda ou colapso dramático. A frase "Poi cadiamo giù come Cartagine" (Então caímos como Cartago) sugere uma destruição total e inevitável, tornando a palavra interessante pela sua carga histórica e dramática.
Sabe aquele relacionamento confuso em que a pessoa te manda embora com um frio "Dicevi sempre: 'Vattene via / Che non mi importa più di te'" [Você sempre dizia: 'Vá embora / Porque não me importo mais com você'], mas no minuto seguinte quer te encontrar na rua? Mahmood resume esse caos urbano em "Barrio". Ele percebe rápido que não adianta sofrer à toa: "Morire per te / Non serve a nulla" [Morrer por você / Não serve para nada]. No lugar do drama romântico comum, ele prefere o deboche de cantar que escalar o ciúme do outro seria mais difícil do que subir uma pirâmide. Para lidar com a ansiedade disso tudo, ele apela para a vida real sem glamour: toma "acqua con Oki" [água com Oki — um anti-inflamatório bem comum na Itália usado para dor de cabeça] e fica em casa jogando videogame só para não sair de casa.
O grande ponto de encontro dessa história é o próprio barrio (bairro ou periferia, palavra emprestada do espanhol). A outra pessoa até torce o nariz para o lugar onde ele vive dizendo "Non fa per te" [Não é para você], mas não resiste e aparece: "Però vieni nel quartiere / Per ballare con me" [Mas você vem ao bairro / Para dançar comigo]. Mahmood joga referências históricas e míticas no meio da batida pop com a maior naturalidade, falando que os dois desabam juntos feito Cartago ("cadiamo giù come Cartagine") e pedindo para ela não sumir como a deusa egípcia Ísis ("non sparire mai come Iside"). No fim das contas, entre brigas, carros correndo e despedidas fáceis, a música do bairro continua tocando alto e ninguém ali consegue se afastar de verdade.