Nurt significa “correnteza” ou “curso de um rio”, uma palavra poética e menos comum do que o simples rzeka (“rio”). Na canção, aparece em „czarny, szalony nurt”, ou seja, “a correnteza negra e enlouquecida”, criando uma imagem intensa do rio que arrasta o narrador.
Em “Most Na Krzywej”, o narrador conta uma sequência cada vez mais absurda de retornos e saltos. Ele começa em Woodstock, sem entender por que voltou para lá, depois entra em um rio “zimna, czarna” [frio e negro] ao amanhecer, porque ouve que não é a pessoa que deveria estar ao lado dela. A frase repetida, “Zrobiłem tych parę głupstw” [Fiz algumas dessas bobagens], mistura culpa e uma esperança teimosa de perdão: para ele, alguns erros deveriam ser perdoados. É uma história de rejeição, confusão e decisões perigosas, contada com uma franqueza quase desconcertante.
No fim, ele chega diante de São Pedro e explica que saltou da ponte na Krzywa, em uma correnteza negra e louca. São Pedro parece dormir, acorda e repete várias vezes: “Nie jesteś tym, który powinien tu być” [Você não é aquele que deveria estar aqui]. A frase funciona de um jeito quase engraçado e cruel: nem no lugar para onde ele foi levado o narrador parece se encaixar. Depois de toda essa tragédia exagerada, ele simplesmente diz: “Więc wróciłem” [Então eu voltei]. A canção deixa esse retorno em aberto, entre o desespero e uma espécie de recusa teimosa de desaparecer.