Squarciagola é uma palavra italiana que significa 'a plenos pulmões' ou 'a toda a voz'. É usada para descrever a ação de gritar ou rir com a máxima intensidade possível, como se estivesse 'rasgando a garganta'.
Na música, Ultimo canta: "Ho visto gente esclusa Ridere a squarciagola" (Eu vi pessoas excluídas Ri a plenos pulmões). Essa imagem é poderosa e um tanto paradoxal, mostrando a capacidade de encontrar alegria e expressá-la intensamente mesmo em situações de exclusão, o que a torna uma escolha interessante e memorável.
Em “22 Settembre”, Ultimo fala de escolher a vida como ela vem, sem esperar autorização nem tentar controlar cada passo. “Preferisco vivere” [Prefiro viver] resume essa decisão, enquanto “stringere” [segurar, abraçar] aparece como o contrário de “lasciare perdere” [deixar para lá]. A letra alterna intimidade e imagens curiosas: duas pessoas se afastam para que o desejo volte, trocam segredos, e um “velho louco” conversa sobre coisas que nunca aconteceram para poder viver um pouco em outro lugar. A frase “Io la vita la prendo com’è” [Eu aceito a vida como ela é] não soa passiva. Logo depois, ele diz que a vida é uma viagem que começa sozinha e nunca pede sua permissão.
Há também uma vontade bem concreta de abandonar velhas convicções e criar outras palavras, confiando um pouco no outro. O narrador lembra de si mesmo num parque, dizendo “mostra quanto vali” [mostre quanto você vale], e prefere aproveitar “anche un semplice minuto” [até um simples minuto] em vez de embarcar no trem rumo ao futuro. O 22 de setembro parece ser uma data ligada a um lugar e a uma lembrança compartilhada: ele sabe o que o outro entende, mas naquele momento precisa “se levantar e descer”, como quem interrompe uma viagem ou uma cena. No fim, a missão fica clara dentro da própria letra: cantar no inverno “per dar la primavera” [para dar a primavera]. É uma canção sobre seguir adiante com as contradições, guardar um instante específico e transformar música em algo que alcance a vida das pessoas.