The Man Who Sold The World nos leva a um encontro misterioso em uma escada, onde o narrador esbarra em alguém que parece ser uma versão antiga de si mesmo, ou talvez a personificação de tudo o que ele já deixou para trás. Entre apertos de mão e olhares vazios, a letra questiona quem somos de verdade quando negociamos nossos sonhos, nossa identidade ou até a própria sanidade. A sensação é de estranhamento: o eu que fala não sabe se está vivo ou morto, presente ou ausente, mas garante que nunca perdeu o controle. Essa tensão cria um clima quase onírico, reforçado pelo tom grave da voz de Kurt Cobain, que transformou o clássico de David Bowie em um lamento grunge cheio de melancolia.
Na essência, a música reflete sobre dupla identidade e alienação: vender o mundo significa abrir mão de algo essencial e depois encarar as consequências cara a cara. É como se o protagonista percebesse que, ao tentar se encaixar ou alcançar sucesso, acabou se tornando estranho para si mesmo. O diálogo com esse “outro” – amigo, inimigo ou reflexo – revela a luta interna entre permanecer fiel às próprias convicções e ceder às pressões externas. Ao final, fica a pergunta desconfortável: quem, afinal, vendeu o mundo e a que preço?