"Washing Machine Heart", da artista nipo-americana Mitski, gira em torno de um poderoso jogo de metáforas: ela transforma o próprio coração em uma máquina de lavar, pronta para receber os “sapatos sujos” de quem ama. Ao convidar a outra pessoa a jogá-los lá dentro, Mitski revela um desejo de acolher toda a bagunça emocional do parceiro, ainda que isso a machuque com o barulho dos “chutes” girando no tambor. Ela se despe do batom habitual, sinal de vulnerabilidade e intimidade, esperando um beijo que talvez nunca venha de verdade.
O refrão, com o hipnótico “Do mi ti, why not me?”, expõe a frustração de ser vista apenas como substituta: “Eu sei quem você finge que eu sou”. A música fala sobre anular-se para agradar, consciente de que o outro projeta outra pessoa em seu lugar, e mesmo assim perguntar: “Por que não eu?” Entre batidas tensas e vocais delicados, Mitski cria uma narrativa sobre carência, auto-sacrifício e a esperança dolorida de ser escolhida de forma autêntica. Um convite perfeito para refletir (e praticar português!) enquanto o “ciclo de lavagem” emocional segue girando nos fones de ouvido.