Em Stranger in Moscow, Michael Jackson nos convida a caminhar por uma Moscou chuvosa, cinzenta e carregada de história. A letra descreve um narrador que, afastado de casa e sufocado pela própria fama, sente-se observado pela sombra do Kremlin, perseguido pela temida KGB e incomodado até pelo túmulo de Stálin. Cada imagem reforça a sensação de perigo iminente e solidão extrema: “How does it feel when you’re alone and you’re cold inside?”
Ao longo da canção, o cantor – um artista norte-americano conhecido mundialmente – transforma essa paisagem russa em metáfora para o exílio emocional que viveu nos anos 90. A chuva persistente simboliza a tristeza, enquanto o pedido “Take my name and just let me be” revela o desejo de escapar dos holofotes. Mesmo no ápice da fama, ele se vê como um estranho que vagabundeia pelas ruas sem rosto que não o reconhecem. Assim, a música mistura questões políticas e históricas com a solidão universal, lembrando que, por trás da celebridade, existe um ser humano vulnerável buscando abrigo do frio que vem de fora e de dentro.