DEATH, da norte-americana Melanie Martinez, transforma o assunto mais temido da humanidade em um pop teatral cheio de reviravoltas. A cantora assume a voz de alguém que morreu fisicamente, mas continua presente em espírito, pronta para provar que nem a morte consegue calar sua identidade. Entre riffs assombrados e batidas pulsantes, ela descreve rituais, velas e sussurros que tentam trazê-la de volta, enquanto repete com ironia: “I’m back from the dead”. A letra brinca com o ciclo “vida-morte-vida”, sugerindo que cada final é também um recomeço e que a verdadeira imortalidade mora na memória e na arte.
Por trás da estética sombria, a mensagem é de libertação. Melanie critica quem tenta controlá-la ou “enterrar” sua voz e convida o ouvinte a encarar seus próprios medos. Ao receber um “beijo da morte”, a personagem ganha closure e deixa para trás o peso das expectativas alheias. O resultado é um hino de renascimento que celebra a capacidade de se reinventar quantas vezes for preciso, lembrando de forma divertida e provocativa que, no fim das contas, todos nós vamos “morrer um dia” — então por que não viver sem amarras até lá?