Rabbit Hole, da cantora norte-americana Madeline The Person, é como um mergulho num sonho febril onde a paixão faz o mundo real desaparecer.
Nos versos, a narradora confessa que, ao segurar a mão suada do crush e entrar no “quarto-ferida aberta” dele, esquece que é filha, amiga ou até mesmo humana; ela só sente um turbilhão de amor prestes a transbordar. Cada gesto — um beijo no carro, o som da guitarra — aprofunda essa queda pelo “buraco do coelho” da fantasia. É delicioso, mas também apavorante, porque brincar de faz-de-conta (“play pretend”) com sentimentos tão intensos pode deixar cicatrizes. A canção, embalada por refrões cheios de la-la-las e do-do-dos, traduz o doce medo de se perder em alguém e revela o limite tênue entre encantamento e perigo quando nos deixamos levar pela imaginação amorosa.