Regret significa “arrependimento” ou “remorso”, ou seja, o sentimento de tristeza por algo que você fez ou deixou de fazer. Na frase “You’re runnin’ low on regret”, Mac Miller usa uma imagem criativa: estar “ficando sem arrependimento”, como se essa emoção fosse um recurso que pudesse acabar. É uma expressão poética e marcante, com um significado mais profundo do que a tradução literal.
“Once a day, I rise” [uma vez por dia, eu me levanto] e “Once a day, I fall asleep with you” [uma vez por dia, eu durmo com você] colocam a música num ciclo simples, quase automático. Mac Miller fala de tentar dizer alguma coisa e não conseguir encontrar “a single word” [uma única palavra], enquanto se pergunta se as outras pessoas realmente se importam ou se evitam até o próprio reflexo na chuva. É uma imagem estranha e bonita: olhar para si mesmo e virar o rosto. No meio disso, “Everybody keep rushin’ / Why aren’t we taking our time?” [todo mundo continua correndo / por que não estamos indo com calma?] soa como uma reclamação direta contra a pressa geral.
A música também deixa entrar momentos de fuga. “Every now and again, baby, I get high” [de vez em quando, querida, eu fico chapado] usa “get high” no sentido de ficar sob o efeito de drogas, sem transformar a frase numa explicação longa. Ele diz para não guardarmos tudo “in your head” [na sua cabeça], o único lugar que ninguém consegue ver, e espera por “another open door” [outra porta aberta], uma nova chance de sair daquele estado. No fim, a pergunta muda para algo bem básico: “why can’t we just be fine?” [por que a gente não pode simplesmente ficar bem?]. O charme de “Once A Day” está justamente nessa mistura de rotina, silêncio e vontade de desacelerar, como se estar bem por um dia já fosse uma tarefa importante.