Em “Mary On A Cross”, a banda sueca Ghost transforma uma história de amor turbulento num espetáculo cheio de imagens sagradas e glam rock. O narrador relembra uma vida na estrada, correndo pelas “avenidas escuras”, em que a fama trouxe mais tristezas do que brilhos. Mesmo cercados de blues, hematomas e regras que não fazem sentido, o laço entre os dois protagonistas permanece inquebrável: ele “nunca a deixou ir”. A figura de Holy Mary aparece como metáfora provocadora para essa parceira — bela, transgressora, quase divina — que desce do pedestal e encara a dor ao lado dele, sem jamais assustá-lo.
A canção celebra um amor que desafia convenções e encontra prazer no proibido. Quando o vocalista convida: “se escolher fugir comigo, vou te fazer cócegas por dentro”, ele propõe escapar das expectativas alheias e viver intensamente, sem culpa. No refrão, “Mary on a cross” deixa de ser apenas uma imagem religiosa para virar símbolo de liberdade: eles se crucificam aos olhos do mundo, mas seguem “voando alto” sobre o sofrimento. Assim, Ghost mistura irreverência, romance e crítica à busca vazia por glamour, lembrando que, no fim, nada “está errado” quando se escolhe amar de forma autêntica.