Naufragare significa “naufragar”, normalmente usado quando um navio afunda ou fica perdido no mar. Na música, Elisa emprega o verbo de forma poética em “mentre lascio naufragare un ridicolo pensiero”, imaginando que deixa um pensamento ridículo afundar e desaparecer. É uma palavra visual, marcante e menos comum em letras do dia a dia.
Em “Gli Ostacoli Del Cuore” (“Os obstáculos do coração”), Elisa e Ligabue imaginam uma relação como uma viagem entre barreiras internas, segredos e coisas ainda não ditas. No meio desses obstáculos existe “un principio di magia” [um começo de magia], algo que aparece entre uma noite que parece não acabar e outra que merece ser descartada “come un pacco di Natale” [como um pacote de Natal]. A imagem é divertida e inesperada: algumas noites são presentes, outras são embrulhos que a pessoa preferia devolver. Também há ironia em guardar pensamentos secretos e, depois, perceber que eles já foram revelados, talvez porque o próprio eu narrador acabou falando: “Sono io che li ho prestati” [fui eu que os emprestei].
O refrão insiste naquilo que ainda falta descobrir: “Quante cose che non sai di me” [quantas coisas você não sabe sobre mim]. O “viaggio insieme” [viagem juntos] inclui coisas para levar, mas também coisas para jogar fora. Enquanto olha o mar, o narrador deixa naufragar um “ridicolo pensiero” [pensamento ridículo], como se pudesse se livrar de uma preocupação exagerada. No fim, a energia o faz balançar “fra il mio dire ed il mio fare” [entre o que digo e o que faço], e até caminhar entre os obstáculos do coração “fa rumore” [faz barulho]. É uma canção sobre duas pessoas que ainda precisam se conhecer melhor, decidir o que merece ser levado adiante e encontrar alegria no caminho.