Grabarze é o plural de grabarz, uma palavra polonesa para “coveiro” ou profissional funerário. Na música, os “grabarze” aparecem como personagens que chegam quando nada mais funciona e sabem preparar e transportar caixões, tornando o termo marcante e diretamente ligado ao tema da canção.
Em “My Grabarze”, Denatan apresenta os coveiros como uma equipe que aparece quando o corpo já não responde: “My grabarze się zjawiamy gdy ci nic nie działa” [Nós, coveiros, aparecemos quando nada mais funciona]. A expressão “kiedy już nie ruszasz tym co mama w genach dała” [quando você já não mexe aquilo que sua mãe lhe deu nos genes] fala do corpo e da vida de forma bem direta, quase como uma piada sombria. O refrão repete “To jest ta zimna krew” [Esse é o sangue-frio] e “To jest nasz cmentarny cech” [Essa é a nossa corporação do cemitério], transformando os coveiros em profissionais orgulhosos do próprio ofício.
A letra continua com detalhes do enterro: eles sabem “jak chować ludzkie ciała” [como sepultar corpos] e “jak opuszczać by się trumna nie gibała” [como baixar o caixão sem deixá-lo balançar]. Depois vem o humor mórbido do veículo: “czarny przerobiony wóz” [um carro preto modificado], uma espécie de carro funerário que ninguém quer que venha buscar você. O caixão de madeira também recebe elogios, especialmente o feito de freixo, chamado de “solidnej jesionce” [freixo resistente]. É uma música curta, repetitiva e deliberadamente exagerada, com os coveiros tratando seu trabalho como uma profissão especializada, enquanto a morte vira o tema de uma espécie de hino de equipe.