Jibe é uma palavra regional cubana que significa “peneira” ou “crivo”, um instrumento usado para separar e peneirar a areia. Na canção, Juanica sacode o jibe enquanto peneira areia no mar, criando uma imagem muito característica da vida rural de Cuba. É um termo raro e culturalmente marcante, além de ter um significado diferente do verbo náutico “girar” usado em outros contextos.
“Chan Chan” acompanha uma viagem por lugares do leste de Cuba: “De Alto Cedro, voy para Marcané” [De Alto Cedro, vou para Marcané] e “Llego a Cueto, voy para Mayarí” [Chego a Cueto, vou para Mayarí]. Esses nomes de cidades voltam várias vezes, como se o caminho tivesse seu próprio passo e refrão. No meio da estrada, o narrador admite um carinho impossível de esconder: “El cariño que te tengo / no te lo puedo negar” [O carinho que tenho por você não posso negar]. A imagem seguinte é bem engraçada e direta: “Se me sale la babita” [A baba escapa de mim], uma maneira exagerada de dizer que ele fica todo bobo de tanto gostar de alguém.
Depois, a canção conta uma cena entre Juanica e Chan Chan, peneirando areia à beira-mar: “Cuando Juanica y Chan Chan / en el mar cernían arena” [Quando Juanica e Chan Chan peneiravam areia no mar]. Enquanto Juanica sacode a peneira, o gesto deixa Chan Chan com vergonha ou tristeza: “Como sacudía el jibe / a Chan Chan le daba pena” [Como ela sacudia a peneira dava pena a Chan Chan]. Em seguida, ele pede que limpem a palha do caminho, pois quer sentar em um tronco, mas a sujeira o impede de chegar. É uma pequena cena de desejo, constrangimento e obstáculos bem concretos, repetida ao som de uma viagem que parece nunca terminar.