Em “Starboy”, o canadense The Weeknd se junta ao duo francês Daft Punk para abrir as portas da sua mansão imaginária e exibir tudo o que a fama pode comprar: carros de luxo, mesas de ébano, diamantes e uma confiança quase arrogante. A cada verso, o cantor ostenta conquistas —"fiz o seu ano em uma semana"— enquanto ri de quem tenta derrubá-lo. É um desfile reluzente de riqueza e poder, embalado por um beat eletrônico que faz você se sentir dentro de um carro esporte acelerando de madrugada.
Só que, por trás desse brilho, a letra traz um toque de ironia. Ao repetir “Look what you’ve done, I’m a Starboy”, The Weeknd parece apontar o dedo tanto para a indústria quanto para nós, o público, que alimentamos o culto à celebridade. Ele mostra que a vida de estrela pode ser glamourosa, mas também solitária —“casa tão vazia, preciso de uma peça central”— e dominada por vícios que “matam qualquer dor”. Assim, a canção é ao mesmo tempo um hino de triunfo e uma crítica ao preço pago por quem vive sob os holofotes: um retrato cintilante e sombrio do universo pop.