Gasoline é como uma viagem de carro às 5 da manhã pelas ruas vazias da mente de The Weeknd. Com os faróis ligados pela insônia e pela química, o cantor descreve um protagonista que tenta sentir o próprio pulso, preso entre a euforia das drogas e o vazio existencial. Essa busca por qualquer sinal de vida o leva a uma relação intensa, quase perigosa, onde a parceira funciona como co-pilota e salva-vidas: ela aperta, gira e vigia seu sono para que ele não ultrapasse o limite fatal.
No fundo, a música é um retrato sombrio – mas hipnótico – da dependência, do niilismo e da esperança frágil de encontrar ternura em meio ao caos. O gás que ele pede para derramar no final simboliza a sensação de que nada faz sentido, nem mesmo a própria sobrevivência. Ainda assim, no turbilhão de batidas sintéticas e letras confessionais, há um convite para refletir sobre como o amor (ou a obsessão) pode ser a última chama antes do apagão.