Escapism é o relato cru de uma madrugada de fuga emocional. Após levar um fora doloroso, a narradora de RAYE mergulha em um turbilhão de prazeres instantâneos – bebidas fortes, drogas, sexo casual – tudo para anestesiar o coração “rasgando por dentro”. Em meio a diamantes que “pingam” sobre um desconhecido, taças de champanhe e corridas de táxi a toda velocidade, ela veste seu pretinho básico e assume o papel de “heart-broke bitch”, decidida a não sentir nada além da adrenalina do momento.
A chegada de 070 Shake reforça o clima de entorpecimento: comprimidos, memória falha e segredos sussurrados a um estranho na cama ilustram o preço dessa busca por esquecimento. O refrão é quase uma consulta frenética: “Doctor, doctor, anything, please… I don’t wanna feel”. No fundo, a música expõe o dilema moderno de transformar baladas, grifes e excessos em curativos provisórios. Entre batidas de quatro por quatro e confissões à flor da pele, “Escapism” mostra que, por mais rápido que se corra pela noite, não há como escapar para sempre das próprias emoções.