Somebody That I Used To Know é aquele hino moderno sobre términos que pegam de surpresa. Gotye, artista australiano, relembra um romance que parecia perfeito no começo - “você disse que estava tão feliz que poderia morrer” - mas que logo virou um vazio incômodo. Ele confessa ter tentado se convencer de que o relacionamento era o certo, mesmo sentindo solidão a dois. Depois da ruptura, bate a ressaca emocional: ficar viciado em um tipo de tristeza e descobrir que a outra pessoa simplesmente apagou tudo, tratou o passado como se nunca tivesse existido e até trocou de número. A repetição do verso “now you’re just somebody that I used to know” mostra o choque de ver um ex- amor virar quase um desconhecido.
A segunda metade ganha a voz de Kimbra, representando o outro lado da história. Ela se defende, dizendo que não queria mais viver presa a lembranças e culpas. Esse diálogo musical revela dois pontos de vista que raramente se encontram depois do fim, expondo feridas, pequenas vinganças e a necessidade (por vezes amarga) de seguir em frente. No fim, fica a reflexão: para superar, será que precisamos mesmo transformar alguém em “apenas alguém que eu costumava conhecer”?