Bulldozer, da cantora britânica Girli, pinta um retrato agridoce do colapso de uma família visto pelos olhos de uma filha. A letra percorre lembranças da infância ‐ como as marcas de altura no carpete da sala ‐ e salta para o presente, quando o pai decide “demolir” tudo o que construiu. A figura do bulldozer vira metáfora para a forma brusca e insensível com que ele abandona a esposa, os filhos e a própria história, deixando paredes rachadas, fotos caídas e perguntas sem resposta.
Com uma pegada pop-punk enérgica, Girli mistura vulnerabilidade e ironia para falar de culpa, ressentimento e saudade. A narradora assiste da porta, impotente, enquanto pergunta: “O que ela fez de errado?” ‐ revelando a dor de quem tenta entender a destruição de algo que parecia sólido. A canção alerta que certos estragos são “irreversíveis” e ecoa o sentimento de quem fica procurando atenção nos escombros de uma relação. No fim, o refrão marcante transforma a frustração em um grito catártico, fazendo de Bulldozer um hino para quem já viu um amor (ou um lar) ser atropelado sem aviso.