Você pode até querer pôr a culpa na batida irresistível do escocês Calvin Harris e na voz rasgada de John Newman, mas a letra de “Blame” fala de algo bem humano: a tentativa de fugir da responsabilidade depois de uma noite de tentação. O narrador acorda sem conseguir dormir, consumido por culpa e dúvidas sobre quem está ao seu lado. Para aliviar o peso, ele repete o refrão como um mantra: "Blame it on the night, don’t blame it on me" – em outras palavras, coloca a culpa na escuridão, na balada, em qualquer coisa que não seja ele mesmo.
No segundo verso, ele se declara "manipulado", alega que "não teve escolha" e pede perdão prometendo ser melhor numa próxima vez. A música, portanto, mistura energia de pista de dança com um enredo de autocondescendência: é sobre ceder à tentação, sentir remorso logo depois e tentar justificar tudo apelando para as circunstâncias. Enquanto seu corpo se mexe no ritmo eletropop, a letra convida a refletir sobre até onde vai a nossa responsabilidade pelos erros cometidos na calada da noite.