Em “CHIHIRO”, Billie Eilish mergulha em um universo quase onírico, repleto de portas que se abrem e se fecham, ecos de um amor que parece escapar pelos dedos e indagações que não encontram resposta. Inspirada vagamente na personagem do filme japonês "A Viagem de Chihiro", a cantora norte-americana usa imagens cinematográficas e perguntas repetidas para criar a atmosfera de alguém que perambula por corredores de memória, tentando reconhecer rostos que já não correspondem às lembranças. A sensação é de estar em um devaneio: você sabe que conhece aquela pessoa, mas tudo mudou de lugar quando piscou.
Ao mesmo tempo, a música fala sobre perda, identidade e comunicação. O eu-lírico implora por uma porta que se abra — símbolo de um diálogo sincero —, mas se depara com silêncio, confusão e um possível “jogo” emocional. Entre versos que questionam "Você levou meu amor?" e confissões de que já não reconhece o outro, Billie constrói o retrato de um relacionamento marcado por sumiços repentinos e promessas quebradas. "CHIHIRO" convida o ouvinte a sentir esse vazio: é a trilha sonora de quem tenta recuperar algo precioso, percebe a armadilha a tempo e, mesmo assim, ainda hesita entre seguir em frente ou continuar batendo na mesma porta.