Panta rei é uma expressão grega incorporada ao italiano que significa literalmente “tudo flui” ou “tudo passa”. É uma escolha marcante e rara, associada à ideia filosófica de que nada permanece igual.
Na música, aparece em “Sentimenti, panta rei”, sugerindo que os sentimentos mudam e seguem seu curso, mesmo quando o narrador ainda sente a outra pessoa. A expressão cria um contraste interessante entre a impermanência da vida e a dificuldade de esquecer esse amor.
Em “FLAMENCO PARANOIA”, Samurai Jay, artista italiano, com Vito Salamanca, transforma uma separação em uma dança estranha e insistente. A pessoa narradora pede um motivo para esquecer alguém, mas encontra o sorriso dessa pessoa “dentro al fondo di un caffè” [no fundo de um café], como se a lembrança aparecesse até numa cena comum. Ela conta dias, meses e anos e ainda pergunta quando um vai superar o outro. A resposta parece impossível: “Non ti passerò e lo sai” [não vou te superar, e você sabe]. Mesmo se o mundo estivesse queimando, ela voltaria para essa pessoa, embora os dois já não se toquem naquela noite e a música pareça tocar pela última vez.
O refrão mistura romance, culpa e imagens bem inesperadas. “Flamenco paranoia” [flamenco paranoia] sugere uma dança movida por pensamentos que sobem e descem, enquanto “balaclava sui sensi di colpa” [balaclava sobre os sentimentos de culpa] trata a balaclava, uma máscara que cobre o rosto, como algo usado para esconder até a própria culpa. A expressão espanhola “mala suerte” [má sorte] liga o amor ao azar, e “panta rei” [tudo flui] lembra que sentimentos e relações mudam o tempo todo. Ainda assim, o coração continua em guerra com a mente: a paranoia aumenta e diminui, há frases ditas só para criar ilusão, mas esquecer continua fora de alcance. É uma música de desejo teimoso, com água benta, música noturna e uma volta ao mesmo incêndio emocional.