Karma Police, lançada por Radiohead (banda britânica liderada por Thom Yorke), é quase como uma sátira sonora dos momentos em que desejamos que uma “polícia do carma” entre em cena para punir quem nos irrita. Ao pedir a prisão de um homem que “fala em matemática” e de uma mulher com “corte à Hitler”, o narrador faz uma crítica ao julgamento impiedoso que exercemos sobre os outros, colocando-se como juiz implacável. A repetição de This is what you’ll get reforça a ideia de que toda ação traz consequência, revelando a crença — ou o desejo — de que o universo devolve aquilo que emitimos.
No entanto, a música vira o jogo: depois de tanto apontar o dedo, o narrador admite exaustão (“I’ve given all I can, it’s not enough”) e acaba perdido em si mesmo (“For a minute there, I lost myself”). Essa guinada mostra que a verdadeira cobrança karmica pode ser interna. Mais do que denunciar a arrogância alheia, a canção expõe nossa própria fragilidade quando tentamos controlar o que foge ao nosso alcance. O resultado é um hino alternativo sobre poder, culpa e autodescoberta, envolto na atmosfera hipnótica que tornou OK Computer um marco dos anos 90.