Brame é uma palavra interessante que significa 'desejos' ou 'anseios', mas com uma conotação mais intensa e profunda, quase como um desejo ardente ou uma aspiração.
Na música, Dente usa a expressão "Donna delle mie brame" (Mulher dos meus desejos) para se referir a uma figura idealizada, quase mística, que ele espera que possa ajudá-lo a encontrar respostas. É uma forma poética e um pouco arcaica de expressar um desejo profundo por orientação e conexão.
Nesta canção, Dente transforma a dúvida em uma sequência engraçada de pedidos de conselho. O eu lírico pergunta ao “Specchio dei desideri, dimmi cosa devo fare” [“Espelho dos desejos, diga-me o que devo fazer”] se deve levantar ou descansar e se pode confiar nos amigos. Depois, consulta uma carta de cartomante, uma bola de cristal e até as estrelas. Cada objeto parece ter acesso a alguma resposta, mas a pessoa continua sem saber se deve seguir em frente, se o que já fez é suficiente, ou se aquilo que perdeu pode voltar. A frase “Che cosa devo fare?” [“O que devo fazer?”] funciona como um refrão insistente, quase uma pergunta que não encontra saída.
O detalhe divertido é que o pedido fica cada vez mais específico: ele quer saber se vai fazer sol no sábado para poder ir à praia e pergunta o que fazer caso se machuque. No fim, depois de falar com espelhos, cartas, estrelas e uma “mulher dos meus desejos”, ele direciona a mesma dúvida a uma pessoa: “Che cosa devo fare con te” [“O que devo fazer com você?”]. A canção começa procurando respostas no futuro e termina diante de uma relação concreta. Em italiano, “Donna delle mie brame” [“mulher dos meus desejos”] é uma forma literária e exagerada de se referir à mulher que ele deseja, o que combina com o tom meio dramático e meio brincalhão da música.
Dente é o nome artístico de Giuseppe Peveri, cantor e compositor italiano nascido em 1976 em Fidenza, perto de Parma. Antes da carreira solo, ele tocava guitarra nas bandas Quic e La Spina, e lançou seu primeiro álbum, Anice in bocca, em 2006.
As músicas dele são curtas e cheias de jogos de palavras, e a crítica já o comparou a Lucio Battisti, Luigi Tenco e Rino Gaetano. L'amore non è bello (2009) ganhou o prêmio italiano de música independente de melhor álbum, e Io tra di noi (2011), produzido por Tommaso Colliva, entrou na parada italiana de álbuns em 15º lugar. Canzoni per metà (2016) tem vinte músicas, entre elas "Curriculum" e "Cosa devo fare". Ele também publicou um livro de fábulas, Favole per bambini molto stanchi (2015).